sexta-feira, maio 11, 2012
Voo de Ícaro
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sábado, agosto 20, 2011
One Hit Wonders - Tomo I
Não obstante, o conceito de “One Hit Wonder” poderá ser de igual forma adaptado ao nosso tema favorito: a estomatologia.
E ao futebol também.
Deixemos então a estomatologia por um segundo (guardem os livros, por favor) e concentremo-nos no casamento perfeito entre One Hit Wonders dos anos 80 e a Bola Lusitana.
Ao jeito daquelas K7’s de compilações que fazíamos no secundário para impingir às miúdas que queríamos sacar, embarquemos então a bordo do Paquete Playlist, e esperemos por uma viagem agitada à medida que sulcamos as águas do Oceano Cromático.
- 1º Candidato:
Sorvendo um suco de acerola no porão, o primeiro imediato Bena.

Comparação: Cutting Crew - “(I Just) Died in Your Arms Tonight”
I keep looking for something I can't get
Broken hearts lie all around me
And I don't see an easy way to get out of this
(…)
The curtains are closed, the cats in the cradle
Who would've thought that a boy like me could come to this
Oh I, I just died in your arms tonight
Solitário, Selim limpa penosamente as lágrimas do rosto enquanto observa o relvado de expressão vazia cobrindo o olhar. Distante e penosamente ausente, qual last man standing numa batalha repleta de casualidades sangrentas. Corpos inanimados espalhados pelo relvado, entoando um requiem silencioso ao Vitória caído.
Emoldurando o deprimente cenário, um Coliseu de almas dilaceradas exige sangue. Uma amálgama de urros desesperados e lágrimas que queimam o próprio esqueleto do anfiteatro – e o espírito dos fundadores da Nação – encima os céus do Burgo, berço de um Império outrora orgulhoso.
Selim sabe que não há ponto de retorno. Não existe uma saída airosa, uma luz ao fundo do túnel. As luzes apagam-se, a cortina corre – final do 3º acto. Olá à 2ª Liga.
E Bena, alvo Cavaleiro da ordem de Vimaranes, desce finalmente de seu branco corcel, desembainha a espada e deixa-a cair numa poça de sangue. Todo o esforço fora em vão. O garboso Tunisino e seu fiel escudeiro Saganowski falharam.
Os Mouros – na pessoa colectiva do Estrela da Porcalhota – haviam conquistado o castelo de Guimarães e confirmado o inevitável: a Cruzada falhara e o tempo de Conquistas fora impiedosamente decapitado. Um golpe certeiro do agora Khazariano Semedo abalara o próprio solo onde Portugal um dia ousara ser Portugal.
E agora? Benachour só aqui sabia ser feliz. O seu passado tinha sido vazio de significado até chegar ao Minho. O futuro? Uma incógnita.
O Vitória, paixão-símbolo de uma Vida, chamamento finalmente descoberto, era finito.
Seguir-se-iam anos de exílio forçado, sem qualquer centelha de alegria ou sucesso.
Oh I, I just died in your arms tonight
segunda-feira, julho 12, 2010
Eu fui à Mercearia com o Rixa
Como a única fruta que há no Vietname tem patas e foge do prato, quando venho a Portugal costumo ligar ao meu amigo Rixa para dar ali um salto à mercearia. É que o gajo conhece o território nacional melhor do que o José Hermano Saraiva, já que o cota nunca jogou em doze clubes diferentes. E daí…talvez até tenha jogado, mas no Século XVIII, quando estava em idade activa, só havia meia dúzia de clubes embrionários, e o Pedro Roma era o guarda-redes de metade deles.Enfim. Faz agora uma semana que liguei ao meu velho compincha do Leixões. O gajo atende o telefone assustado, como de costume.
- "Eh pá, é que sempre que atendo a m**** do fone, passados 5 minutos já estou a fazer a mala para outro lado. Fod*****, eu já nem desfaço a p*** da mala há 7 anos, ainda lá tenho t-shirts do Fido-Dido e do Sporting campeão, c*******!”
Pedi-lhe desculpa, e prometi que deixava de ligar de número privado. Normalmente não quero que reconheçam o meu número, porque gosto de ligar ao Quim Berto às 5 da manha a insultá-lo. Quer dizer, na maior parte das vezes nem sequer o insulto, limito-me a respirar pesadamente ao telefone enquanto ele berra do outro lado. Depois desligo e sento-me nu numa cadeira de baloiço a comer gelado enquanto ouço Meatloaf. Mas não quero revelar mais pormenores sobre a minha intimidade, já basta daquela vez que levei vestidas as cuecas da esposa para o balneário. O Edson Miolo riu-se como o cacete. Como se o gajo nunca tivesse usado fio dental…a verdade é que em cinco anos, o imbecil passou do Sporting para o Centro Limoeirense. Quem se ri agora? Hah! Se bem que dado os recentes desenvolvimentos, até é capaz de ter sido um passo em frente na carreira…
Apesar disso, tenho que confessar que até curto o gajo – o Miolo é o único tipo que conheço que posso gozar por jogar num clube mais ridículo que o meu, apesar de nem tudo ser mau lá no Vietname: no T&T Ha Noi sempre posso partilhar o balneário com dois míticos pés esquerdos do imaginário da nossa bola, como o Cristiano e o arborífico Gonzalo Marronkle.Mas voltando ao Ricardo, depois de se acalmar com o telefonema, lá lhe disse:
- "Hóme, vamos comprar bananas e afins ?"
O gajo lá disse que vinha comigo, mas que ia levar a mala com ele.
”Nunca se sabe.”
Encontrámo-nos à porta de minha casa. Nos cinco minutos que nos separaram do destino, o Platini do Mar recebeu quatro telefonemas de três Países diferentes. Enquanto escolhíamos a meloa com melhor aspecto, comprometeu-se verbalmente com dois clubes e incompatibilizou-se com os treinadores dos quatro anteriores.
Gosto de sair com ele. O fulano é uma celebridade. Esteve a mostrar o passaporte ao coreano da mercearia e o gajo ficou mesmo impressionado. Como o Rixa já jogou na Coreia (obviamente), a conversa desenrolou-se na língua deles, mas acho que topei o chinoca a dizer: “Honlado Senhol Nascimento, seu passapolte palecel passapolte de Expo 98, estal cheio de calimbos!”
O Rixa respondeu-lhe com um milho bem pregado nos cornos e fugiu a passo, porque correr não é com ele. Eu, como sou bem mais rápido que o vento, ainda estive calmamente a escolher as nêsperas com melhor aspecto, enfiei-as na minha mochila do Walsall FC e saquei um sprint à CF77 (eu). Encontrei-o mais à frente, a assinar contrato com um clube da Macedónia numa esquina. Quando o relembrei que o Prof. Neca não iria achar grande piada à coisa, ele enfiou uma cabeçada no empresário, fez um telefonema ressabiado ao treinador do referido clube e ameaçou a rescisão. Desta vez foi fácil, porque o homem nunca tinha ouvido falar dele, o que tornou tudo mais simples.Na minha óptica, o facto de os treinadores não saberem quem é o Ricardo à partida, acaba por ser uma situação positiva. Senão saberiam que ele e o Rui Pataca tinham andado armados em sul-americanos num treino do Montpellier há uns dez anos atrás : aí ficou bem vincado que a alcunha que pomposamente usava impressa na camisola – RIXA – teria algum fundo de verdade.
Ao menos a minha – CF77 - tem mais nível…estou sempre a dizer-lhe isso. Mas normalmente quando acabo a frase, ele já está a caminho do aeroporto de bilhete na mão. É impossível ter uma conversa normal com este gajo.
Vou mas é para casa comer frutinha, que já se faz tarde.
segunda-feira, junho 29, 2009
Alcochete a Ferro e Fogo
Pedro Barbosa está na sua rústica casa de campo a comer um croissant com recheio de ovo. Um mega croissant, refira-se. Desloca-se na cadeira de rodas até à janela e ao fim de longos 15 minutos consegue finalmente vislumbrar a lassidão da paisagem. Ao fundo, uma nuvem de fumo parece indicar o fim da tranquilidade: era Rui Costa, o santo que fez o milagre de sacudir a água do seu casaco Hugo Boss (versículos de São Costa, 16:9), varrendo a planície a espumar de raiva.Barbosa, com a sua placidez habitual, rumina mais um pouco o seu croissant e deixa-se estar.
- Eu é que não era maluco para começar a correr com este calor todo… - pensa com a sua franja que tomba resignada sobre a testa.
Costa, o santo que fez o milagre de gastar todo o orçamento do Malawi em contratações do calibre de Balboa (versículos de São Costa, 4:3), avança imparável destruindo azinheiras, esquartejando bolotas, dilacerando os bonecos Playmobil do Miguel "o Miguel" Veloso, escavacando as ene balanças do Rochemback, incendiando os pneus do seu patrão e disparando indiscriminadamente a sua metralhadora como se fosse o Rambo no Afeganistão. Ainda estrangulando um esquilo, chega à janela térrea donde espreita Barbosa.
- Eu passo-me quando não vejo condições! Eh pá, dá-me cá uma raiva que nem queiras saber! Parto tudo o que vejo à frente! – desabafa Costa.
Barbosa prefere dar início ao croissant com pedaços de amêndoa na cobertura. Não responde.
- Mas isto é o quê, pá? Jogar à bola na relva? Na relva? Mas aonde é que chegámos, pá? A relva é para os bois e para as vacas não sagradas, pá! Não é para mim! Essa porcaria está cheia de pesticidas, pulgões e ácaros da mais variada espécie! Só admito espalhar classe num tapete de veludo beatificado pelo vinho santo do São Vilarinho (versículos de São Costa, 7:1)!
- Hmm, hmm – grunhe Barbosa. Provavelmente, sentindo a delícia do praliné gostoso.
- E que porcaria de entrada em campo é esta, pá? Eu ando sobre as nuvens ou sobre a água… mas sobre a terra batida? Ó Barbosa, isso é mesmo para provocar-me, não é? Tu queres que eu me passe dos carretos, não é? – e dito isto, Costa parte violentamente um vaso que estava no parapeito. Barbosa demora alguns segundos a responder.
- Eh pá, não me partas a louça!... Tenho tantas dificuldades para a pagar… Agora puseste-me triste e já não me apetece falar mais… Vou afogar as minhas mágoas num vulgar croissant de chocolate. Ou melhor, num pastelinho de nata, que está mais queimadito, coitadinho… Eu tenho muita pena dos pobrezinhos…
Mal Barbosa finca o dente misericordioso no pastel, Costa abespinha-se:
- Esse pastel não tem condições! Alertei a ASAE e eles não fizeram nada quanto a essa questão! Essa porcaria só aumenta o colesterol! E isso deixa-me… furibundo! AHHHHH!!!!! – ao mesmo tempo que grita, Costa imprime uma sacrossanta cabeçada na persiana, desfazendo-a em pedaços.
Barbosa, de boca cheia, tenta por tudo mover-se para agarrar e acalmar São Costa, mas só consegue mexer ligeiramente o indicador enquanto cospe um bocado do pastel:
- Ó ‘Osta… ó ‘Osta, ‘tá lá ’ieto com isso... assim ‘ás-me ‘abo da ‘asa…
- Mas qual casa, pá? Isto é um casebre sem condições! Isto é o terceiro mundo! Pensava eu que eras um visconde!...
- Tenho uma casa humilde. Por favor, não me destruas os estábulos nem importunes as éguas. Pode ali estar um novo Ronaldo e eu preciso disso para comer.
- Ronaldo?!? Bah, um jogador sem condições para o Benfica!
- … mas olha que ele é caro como o caraças…
São Costa ouve falar em coisas caras e refreia os seus ímpetos.
- Mas… caro, como assim?
- Muito caro.
- Tipo… bué, bué caro?
- Caríssimo. Do mais caro que pode haver.
São Costa escuta uma música celestial e um halo de luz desce dos céus, envolvendo todo o seu fato Armani. Hossanas ao Senhor, podia estar ali o novo reforço! Costa está muito interessado em saber mais.
- Hmmm… E o tipo joga bem?
- Então não? É do melhor.
Costa enfurece-se outra vez.
- Eu logo vi! Não tem condições! Tem de ser caro e não valer a ponta de um corno para ter lugar no plantel! O verdadeiro símbolo do Benfica sou eu!
Barbosa já chupa os dedos e lança um olhar apaixonado sobre a travessa de bolinhos de coco que repousa sobre a sua caminha de feno. Nota-se que Barbosa gosta de comer enquanto os outros estão a falar e por isso tenta prolongar um bocado a conversa.
- Mas o símbolo do Benfica não é a águia Vitória?
- É um animal sem condições! Só eu possuo condições ideais!
- E antes não era o Eusébio?
- Tem algumas condições, nomeadamente no que concerne à identificação do marisco… mas não chega!
- E porque é que tu…
- Porque eu sou do povo e tenho um BMW topo de gama, estofos de cabedal e jantes de liga leve, que conduzo com alto estilo e óculos Ray-Ban a condizer, ´tás a ouvir? Quase quarenta anos e um cabelo de pedir meças ao Mick Jagger, ´tás a ver? Sem um cabelo branco que seja! E tu, ó visconde falido?
- Tenho um tractor agrícola Same. Dá jeito para apanhar a azeitona.
Costa, o santo que tem a mais bela voz de todos os directores desportivos que fumam nos túneis de acesso (versículos de São Costa, 68:70), exaspera.
- Percebes agora o que te digo? Não tens condições!
- Não menosprezo o meu tractor – defende Barbosa, tirando a cereja cristalizada do topo do seu bolinho – Só eu sei a adrenalina que senti quando dei 30 Kmh pela estrada que vai do pavilhão ao relvado… sem capacete. Sempre a rasgar. Sempre nos limites. Uma loucura.
Entretanto, ouve-se o galo cacarejar e chegam notícias que dão conta que o jogo dos miúdos tinha terminado. Costa e Barbosa ficam frente-a-frente, num longo momento de embaraço, sem assunto para desenvolver. Costa, olhando para todo o rasto de destruição que deixara na modesta herdade de Barbosa, tenta improvisar uma despedida.
- Pá, então… Ficamos assim… Havemos de marcar um jantar um dia destes...
Barbosa aceita a sugestão com agrado, parando por instantes o seu semi-frio de café.
- Isso pode ser. Pagas tu? Sabes que eu ando um bocado à rasca… e agora ainda tenho de pagar o que tu partiste…
- Paga a imprensa – decide São Costa – Que esses trastes sirvam para alguma coisa! Ando cá com uma raiva a esses gajos!... Eu já os conheço a todos muito bem e tenho respostas muito boas para eles... Do género: eles perguntam-me “ah e tal, fulano e sicrano” e eu faço aquele sorriso malandro a mascar pastilha e só lhes digo “amigo, eu não papo grupos!” e eles ficam a andar à roda! Tomem lá! Quando penso nisso fico cá com uns azeites!...
Barbosa apazigua:
- Não penses mais nisso. A culpa é do Porto.
Costa é atingido em cheio no seu coração. Estabelece-se uma súbita empatia. A ira transforma-se em sorrisos.
- Nem mais! Nem mais! Pá, tu quando queres até sabes! Desculpa lá a maçada, ó Barbosa! Dá cá um abraço! Amigos como dantes?
- Tudo bem… pode ser… cuidado, não me esborraches o éclair. É o último e acho que dei um mau jeito no braço quando me estiquei para ir buscá-lo.
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domingo, fevereiro 01, 2009
Gala Cromos da Bola 2008 - Rui Óscar para... BIG

And the winner is Geoooooooooorge Leandro Abreu de Lima, mais conhecido como “Leandrinho Lima tenho 23 mas pareço ter 19”.
Uma história comovente, com uma caracterização impressionante que fez parecer este jovem ainda mais jovem. A não perder a enredo de um jovem que passou a vida a chamar-se
Luis Leandro Abreu de Lima, nascido em Fortaleza em Dezembro de 1987. Mas afinal.. após uma investigação com ADN, cabelos, sangue, câmaras ocultas e microfones nas cuecas, uma verdadeira investigação CSIesca, veio a nu o verdadeiro homem - George Leandro Abreu de Lima, nascido em Novembro de 1985.
Um talento do Nordeste.. que o Sado vê agora desaguar no seu caudal…
quarta-feira, agosto 13, 2008
O Príncipe Maestro e o Seu rebanho
O Príncipe Maestro é justo e bom, e por isso mostra aos pecadores o caminho que devem seguir. O Príncipe Maestro criou tudo e todos com o propósito de serem bons.
Ao admirarmos toda a Sua criação (animais, plantas, isqueiros, montanhas, mares, rios, Balboas, vales, florestas, zundapps, praias, etc.) podemos contemplar a bondade de Príncipe Maestro.
“Toda a galera eramos como Isto, claro, num dia onde infelizmente não se passa nada no desporto nacional. Um dia como todos os outros, onde o Vitória vimaranense (órfão de David Paas e Basaúla) disputa pela primeira vez uma pré-eliminatória da Liga dos Campeões, o senhor da poll se abeira de um recorde de presenças num clube centenário de Lisboa, o tri-campeão nacional se prepara para disputar a Supertaça com esse mesmo clube, e decorrem umas gincanas e pantominices pomposamente apelidadas de "Jogos Olímpicos". Uma mão cheia de nada perante um doce beijinho num treino.
Observemos a postura de Príncipe Maestro, extremamente elegante no Seu ensemble camisa-casaco Maconde. Postura erecta, de quem não deve nem teme. Um homem-obelisco, gigantesco na Sua dignidade e vertical nas Suas convicções férreas. Ele não luta pelo bem, deixa isso para outros. Ele faz o bem. Príncipe Maestro inventou mesmo o conceito de bondade, algures em 1991 D.C. por terras santas de Fafe, após endossar um passe-oferenda ao primeiro dos seus apóstolos, o imortal José Albano.
Regressando à santa representação do Príncipe Maestro, podemos observar que o Seu mais recente apóstolo, o pequeno David, se inclina ligeiramente perante o criador do Universo e do panike de chocolate, em sinal de respeito e admiração. Em simultâneo, nota-se que o Príncipe Maestro, apesar de gozar do estatuto de semi-deus e ter um penteado da moda, é uma semidivindade humilde, dado que não se coibe de demonstrar carinho e receptividade física para com o Seu jovem seguidor.
Peito com peito, mão firme entrelaçada na da jovem ovelha, e um beijinho doce e carinhoso, que bem representa o amor que Príncipe Maestro tem por todos os seres vivos deste planeta, sejam eles animais, machairidis, minerais ou vegetais.
Príncipe Maestro não tem receio de se misturar com o povo. Ele, que do alto da sua postura divino-empresarial, cumprimenta calorosamente esta alminha perdida vestida com calçõezinhos, meiinha branca e um mísero coletinho branco, que certamente não o aquecerá nos invernos mais longos. Ninguém é insignificante demais para receber o amor semi-divino de Príncipe Maestro.
Depois do incrível feito de ter tornado o Salgueiros de Lisboa no incontestável hexa-campeão do defeso, espera-O a dura tarefa de converter todos os bárbaros vândalos que ainda não se sentiram quentinhos com a recepção do amor de Príncipe Maestro.
Entretanto, ficamos a especular o que Ele estará a fazer com a Sua divina mão esquerda ali em cima. A melhor resposta em forma de caccioli será galardoada com um Príncipe Maestro de bolso, ideal para trazer consigo ou colocar no volante da sua Casal-Boss.
domingo, julho 13, 2008
Há vacas na Zâmbia?
Trata-se de algo invulgar, paradoxal, até.
Um cowboy zambiano com coração de artista. Pés aveludados sob um sombrero urbano de pós-modernismo vintage. Um bronzeado Caccioli sob o efeito de LSD. O Dibo séc. XXI com um chapéu porreiro. Uma brisa fresca após uma tempestada de verão.
As referências são extraordinárias. Durante a badalada festa do 12º aniversário de João Moutinho, que teve lugar na semana passada, Pedro Mantorras explicava ao seu filho mais novo (que é professor de educação física do prodígio algarvio) que teria ouvido relatos de inesperada grandeza vindos do zambiano Zesco United. A lenda crescera de forma mais célere do que uma incursão de Gaoussou Fofana pelo flanco direito dos estudantes: vinha aí craque, e dos grandes.
Rainford Kalaba, 1,64m de explosão e 56kg de descaramento, tudo embulhado num bonito pack magistralmente coberto por um chapelinho do mais fino recorte.
Porque il fantasista é assim mesmo - destemido, arrogante, desafiador das mais conservadoras opiniões sobre o que é realmente o futebol. Para ele, o futebol faz-se no momento, muda a cada segundo, inova-se a cada passe, surpreende a cada drible e emociona a cada carícia ao esférico. Com o pequeno cowboy Rainford a conduzir a manada bracarense, a evolução da espécie futebolística é apenas uma mera formalidade.
Porque sim.
Porque ele pode.
A lenda já chegou a Portugal, e a História reescreve-se as we speak. Em dois dias apenas, já nos presenteou com um milagre, como relata o impoluto diário "record":
"Kalaba mostrou que conhece os princípios do jogo e os movimentos, sendo que teve 26 intervenções durante o treino, tendo efectuado 18 passes, cinco dos quais errados, e cinco remates de meia-distância, obtendo um golo. Que mereceu as felicitações de Jorge Jesus. Em inglês, como uma espécie de homenagem."
Cá está, Cowboy Kalaba já fez Jorge Jesus exprimir-se em inglês. Logo ele, que se degladia há décadas contra a língua portuguesa, numa hedionda batalha que já fez mortos, feridos, e famílias enlutadas.
Continua assim, bravo cowboy, e o Mundo será teu.
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sábado, junho 14, 2008
Evariste Sob Dibo, o Pequeno Artista
Sob Evariste Dibo é um nome carregado de simbolismo, alma e magia.
Arte em estado puro. Pureza em estado artístico. A leveza do ser futebolístico em pura comunhão com os quatro elementos.
Um artista é na maioria das vezes um incompreendido, um pária da sociedade. Um sonhador utópico desligado daquilo que nos mantém como parte da engrenagem que faz funcionar esta grande máquina a que chamamos (Nuno) Sociedade.
Qual tigre de papel numa selva urbana, o sonhador costa-marfinense assentou arraiais na frondosa vila Condal sem saber muito bem o que o esperava. Colocado por Clark Gable numa posição mais recuada no terreno, o pequeno fantasista era como um belo peixinho dourado num baço saco de plástico. Claro que queria deslumbrar casas de banho por esse planeta fora num pomposo aquário...e tinha potencial para o fazer. Mas preso num saquinho de plástico poderia apenas rezar para que o resgatassem do anonimato e o despejassem em algo melhor.
Sendo que apenas existiam duas opções - a sanita ou o aquário - Sob não demorou a escolher a segunda. E em boa hora.
Assim que se encontrou solto de amarras, o Pequeno Artista assumiu a camisola 10 como uma segunda pele, pousou a alva tela sobre o cavalete, sacou os pincéis do bolso do equipamento (mesmo por baixo do "O" da palavra "RECHEIO") e pintou.
Pintou.
Pintou o céu, tocando-lhe com dois dedos. Dois dedos de conversa, dois dedos de prazer, dois dedos de imortalidade, uma mão de Vata. Em poucos segundos, o Céu Futebolístico era Marco de Canaveses e Evariste Sob era Avelino Ferreira Torres. O Céu Futebolístico era o Texas e Dibo era Walker, o Ranger.
Carte Blanche para o inevitável encontro com o destino para um jantar a dois. A ementa? Magia.
Evariste Sob, o Pequeno Mágico, pintava. Pinceladas de criatividade, perícia e maestria em tons de verde-alface, que contrastavam com a palete de tons acinzentados que Baíca, China, Emanuel ou Luís Coentrão emprestavam ao meio-campo vilacondense. Os adeptos exultavam perante um diminuto Miguel Ângelo negro que todos os fins-de-semana lhes oferecia um pouco mais da sua própria Capela Sistina.
Porém, todas as belas histórias têm o seu final. Todo o Batman tem o seu Joker, todo o Armando Sá tem o seu Cândido Costa e todo o Vale e Azevedo tem o seu tribunal. Sob Evariste?
Tinha algo bem mais grave. Uma nemesis, que não sendo exterior, fazia parte de si mesmo. Como qualquer bom artista que se preze, o costa-marfinense distraía-se com relativa facilidade. O seu calcanhar de Aquiles eram mesmo os aeroportos.
Raramente apanhava o vôo que lhe era destinado, dada a facilidade com que se perdia nos amplos corredores destas gigantescas construções vanguardistas. Observava os bifes e os camónes embarcando em vôos para o Algarve, via emigrantes felizes em Agosto e Dezembro fugindo de Paris para o Sá Carneiro sob a égide triunfal de Graciano Saga, o Dinis da música popular portuguesa.
E por ali ficava. Ocasionalmente sentava o seu mágico traseiro no chão e pintava o rebuliço das gentes, em troca de uma sandes de requeijão ou um CD de Hall & Oates. O seu vôo? Uma memória distante apenas. O que interessava era o nascer de uma nova vida sob a forma de uma folha de papel enrugada com uns rabiscos a lápis. E quem o poderá culpar? Não será o RECHEIO de carne picada deste pastel de chaves que é a vida feito destes momentos de abstracção e alienamento que nos levam a descobrir quem afinal somos?
Quem é afinal Evariste Sob Dibo senão um artista?
quarta-feira, maio 09, 2007
Vado Retro, Osvaldo.
Durante o meu recente périplo por terras castelhanas, deparei-me com esta placa. Não, não foi um cromo do Vado (apesar de ter visto vários madrilenos com t-shirts alusivas ao Marítimo de inícios anos 90, com claro destaque para Soeiro), foi mesmo a que está mais à esquerda.
Obviamente, e como qualquer ser relativamente normal, depreendi que se tratava duma probição do Ayuntamento Madrileño à entrada do (ex?) futebolista Vado nesta área metropolitana.
A minha segunda reacção, já a frio, foi fome. Fui comer uma tortilla. A terceira reacção, porém, levou-me a questionar o porquê da aversão espanhola ao "pequeno genial". Não falo de João Pereira, é do Vado mesmo.
Sem rodeios cheguei à óbvia conclusão que a habitual soberba dos espanhóis (naturalmente traduzida no bigode cheiroso de Baston e nas sobrancelhas ligeiramente arqueadas de Toniño) levou a que, não tendo o Real ou o Atlético (ou o Getafe. Ou o Fuenlabrada - grande Fuenlabrada.) conseguido contar com os serviços do nosso "10 à Skydome" quando este jogava no feudo de Jardim, reagiram desta forma pouco honrosa. Um bocado no estilo de "Ai o menino não quer vir jogar para Madrid? Pois também já não queriamos. Aliás, até tinhamos pensado em proibir a tua entrada na cidade."
A verdade é que o fizeram. Osvaldo (Vado para os amigos, e não só), sentido com esta deshomenagem (acho que inventei uma palavra nova), pensou de que forma se poderia vingar. Primeiro desenvolveu um plano em que enviaria Carlos Secretário e Agostinho para o Real Madrid. Descartando-o depois como utópico, pensou em mostrar aos espanhóis aquilo que estavam a perder. Como tal, lembrou-se de ir jogar para o Desportivo de Beja, liderando a imparável cavalgada da II Honra para a IIB em 1997. Depois, pensando que tal demonstração de inaptidão teria sido em vão, lembrou-se de desenhar um plano de carreira em que seria um jogador baixote, feioso, com um espanador na cabeça, que acabaria a carreira no estóico Monchiquense.
Mission accomplished. Por supuesto. Olé.
Post Scriptum Cromatium: e não é que encontramos um bom parceiro de meio campo para o José Américo na pior (vá lá, "menos boa") Selecção Nacional de sempre?
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Uma Viagem pelo Minho
Ah, Barcelos. Que o pueril ar fresco que se respira nas madrugadas minhotas seja reflectido no orvalho das tuas cinzentas calçadas forradas a paralelepípedos. Que a torrente de futebol alicerçado no letal contra-ataque seja proporcional ao sacramental anti-jogo quando te apanhas a ganhar. Que a contenção feita futebol se desfaça na rede adversária através de uma negra lança sobrevoando o verde tapete.
Será que a bola transformada em ponto fulcral de uma demanda pelo sucesso do cinismo pode ser levada a sério? Será que um autocarro transversalmente estacionado pode ser ponto de partida para uma rápida incursão pela autoestrada que rápida e ríspidamente nos entrega à porta da nobre e desejada meta? É só encostar, Mangonga.
Todas as viagens têm um ponto de partida. A nossa viagem de hoje começa num Tuck. Um Tuck começa quando um qualquer Abdel-Ghany ataca. Aliás, existiriam Kikis se não fosse pelos Hadjis deste Mundo? Seria necessária a existência de um Fernando Aguiar, não fôra pela tímida genialidade de um Walter Paz?
Entra em cena Tuck. O desarme feito arte. O sentido posicional feito bandeira. Um Custódio antes do Custódio. O assassino silencioso. Sem grandes alaridos, sem grandes marcas na integridade física do oponente. A bola? Já era. O drible? Impossível. Neste terreno não há lugar para a fantasia indomável do esfíngico Sabry. Neste Mundo o polícia não é George Walker Bush. Neste Mundo o cowboy é Tuck, polícia discreto, carismático capitão, líder que partilha os holofotes.
Após tomar o seu início no desarme, a viagem continua pelo génio. Todos nós temos um pouco de génio e de louco, é certo. Mas certos indivíduos possuem esta primeira característica em doses industriais. O meio-campo de Barcelos era um bom exemplo. Dois senhores percorrem o mesmo terreno de forma tão equilibrada na sua justiça, quanto desiquilibrada no teor de Q.I. em relação aos seus desamparados oponentes. O ponderado, regrado e cerebral Caccioli, personalidade inexorável da verdinha meia-lua, é o perfeito contraponto ao genial rebelde sem causa João Oliveira Pinto, a promessa que nunca o foi. Dois nomes de craque para uma linha de texto, duas luvas para duas mãos siamesas, duas cerejas no topo de um bolo coberto do mais delicioso glacê.
Se um "tuck" na bola inicia a viagem, são precisos um grande condutor e seu fiel co-piloto para levar o glorioso veículo ao parque de estacionamento do Olimpo. Manobras arrojadas nunca foram problema para o aveludado J.O. Pinto, craque de nome, e Mad Max de coração, que apenas precisava de direcção. Direcção, dizeis vós? Pois quem melhor para as fornecer do que o homem que dispensou qualquer volume capilar para arranjar espaço para o seu GPS cerebral? Cacci "O Homem-Assistência" Oli. Qual baterista marcando o ritmo de um acelerado riff de uma rebelde guitarra, qual Rui Costa passeando (devagar, claro) pela primeira página de uma anónima edição do jornal "A Bola", Caccioli era o calvo maestro que dirigia o atum J.O. Pinto nesta sanduíche que tinha Tuck como alface.
Porém, esta viagem só faria sentido se chegasse ao destino. Para comer tremoços é preciso tirar a casca. É necessária a existência de alguém que ponha os meninos a dormir. Um picheleiro que feche a torneira. Um carteiro que termine o dia com o sorriso estampado de dever cumprido na sua abigodada face. Se vociferamos então por um matador de sangue gelado, com Mangonga o tiro nunca sai furado. Este esquivo sniper de lábios cinzentos enterrou os sonhos de muitas almas despojadas de esperança, que olhavam impotentes para o relvado, de olhar vazio, enquanto o diminuto Mantorras do Congo lhes roubava a alegria debaixo dos seus peludos narizes.
Makopoloka Mangonga, o "Zairense (agora Conguito) decisivo", saía invariavelmente do relvado abraçado a seus compadres, e com um vitorioso esgar decalcado nos seus cinzentos lábios, dizia baixinho a Nené Santarém: "Hoje o herói sou eu, amanhã serás t...não. Amanhã também serei eu. Desculpa."
Viagem curta, esta. Curta, mas saborosa como uma pinga de mel que escorre de um jarro quebrado numa tarde de Verão na Rechousa.
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domingo, maio 28, 2006
Seis dedos de uma mão disfuncional
Vinagre é um condimento indispensável para uma alimentação correcta e saborosa. Pena é não ser um condimento apreciado numa defesa que aspira a ser algo mais que medíocre. Regar um muro defensivo a Vinagre é uma certidão de óbito para o batimento cardíaco de qualquer Mijter que se preze.Com Vinagre, o mel sabe a fel.
Constantino fazia gala de um nome sui generis e um talento sobrenatural para fazer mossa na chapa contrária. Mítico avançado da colectividade abençoada pela Petrogal, salpicava terrenos que só os grandes podem pisar com velocidade de ponta e faro para o golo.
Constantino era pequenino, mas a muitos torceu o pepino.
Rodolfo era um cepo centrocampista que não era bom a atacar, nem a defender, antes pelo contrário.
Parte do mítico pack Amadora-Antas que levou o extremíssimo extremo Paulo Ferreira à Invicta passar férias, Rodolfo assumiu-se como um excelente motivo para os grandes repensarem toda a sua política de contratações durante anos. Ou então não. Mas deveria ter sido. O ponto alto da sua carreira foi quando Rubens Jr e Cajú chamaram a atenção do restante plantel Dragão que Rodolfo era parecido com um jovem Carlos Barroca sem barba. Finalmente sob as luzes da ribalta.
Actualmente estará provavelmente acampado à porta do Estádio da Luz desde o momento em que Fernando Santos decidiu arruinar mais uma época em Lisboa. Procurando mais um tacho, Rodolfo parece ter motivos para sorrir. E Paulo Ferreira já esfrega as mãos de contente.
Passamos agora do terço ao garrafão e falamos de mais uma personagem marcante da bola lusitana. Luís Carlos fez garbo do seu pé esquerdo para espalhar beleza e esplendor em campo, e da mão esquerda para segurar a garrafa de tintol, cujo conteúdo escorregava tão bem pela sua garganta. Provavelmente um dos piores jogadores de sempre a alinhar pelas Quinas, (olá, Skoda!) Luís Carlos destacava-se mais pelo seu ar de papalvo do que propriamente por algo do positivo que tenha alguma vez feito. Numa carreira recheada de altos e baixos, nada ficou mais recheado aquando da sua passagem pelos clubes que lhe deram guarida do que a conta do bar dos mesmos. E para o Luís do Garrafão nada nada nada??
Milovanovic chegou ao Berço da Nação com estatuto de estrela, e cedo confirmou as suas credenciais. Um estratega por referência, Milo servia senhores do nível de David Paas e Riva com colher de ouro. Porém, o problema não era a colher, era mesmo o que esta continha. Paas e Riva desesperavam com tanta parra e pouca uva. Fazendo gala da sua fronha de agente da Gestapo de fama nazi, Milo tentava impôr-se através da sua feiura, visto o futebol amiúde não chegar. Mas até aí foi curto e a bola fez-lhe vistas grossas. Milo, foste grande, apesar de tudo.
Martin, o Pringle, foi dos jogadores mais hilariantes da longa história da bola lusitana. Alto, desajeitado, com a técnica de um central e QI inferior ao número de pontos do Penafiel na Liga 05/06, este ex-carteiro sueco nunca conseguiu levar as cartas ao seu destino, ficando-se apenas por mostrar ao mundo o grande postal que era. Destacado pela imprensa desportiva de Lisboa como a resposta benfiquista ao portista Mário Jardel, revelou-se antes a resposta dos mesmos a Ronald Baroni. O ocasional golo não deu para disfarçar o facto que o clube lisboeta tinha finalmente encontrado um jogador que fosse tão mau no ataque como Jorge Soares era na defesa, contribuindo assim para o equilíbrio do plantel.
sábado, abril 29, 2006
Salada de Frutas
Salam Sow, o mago africano.Pleno de pujança, força e tranças, este 10 guineense chegou a Belém, terra onde Jesus nasceu, cheio de promessa.
Mas promessa não paga dívida, e o bom do Salam ficou em dívida para com os adeptos que gostam de bom futebol. Pois de boas intenções está o inferno cheio.
Ricardo, o Carvalho, tinha um caniche em cima da cabeça, nos tempos da colectividade de Leça da Palmeira. Essa pequena deficiência capilar foi quiçá incentivada pelo anafado Jefferson, jogador que não deixou saudades, mas deixou concerteza um belo rasto de azeite.
Velli Kassoumov, um ponta de lança de reputação, chegou a Setúbal com o golo no coração. Porém, o coração sozinho já não chegava, pois o seu joelho o do Esmantorras imitava. Velli era azeri, mas a sua saúde já não morava aqui.
João Manuel Pinto. Este senhor formava uma aliança com o salgueirista Marcos Severo, que tinha o intuito de manter o espírito de Eric "Eurico" Cantona vivo nas jornadas lusas. Porém, dizia-se à boca pequena que afinal as usuais golinhas levantadas não eram senão uma forma de impedir que o gel escorresse do cabelo para a camisola.
Com golinha ou sem ela, o outro dos outros Joões Pintos tinha a capacidade de fazer rir as bancadas pela sua forma peculiar de interpretar esse belo e didáctico jogo a que chamamos futebol. Por outras palavras, o tipo era uma nódoa.
Depois de deixar a sua marca na Invicta cidade como ponta de lança nas horas vagas, este vagabundo do rectângulo rumou a Sul para criar uma inolvidável dupla de nódoas centrais com "O Rim" Argel e formar uma "clique" de frequentadores de tascas com Fernando Aguiar e Pesaresi. Tudo isto na inolvidável época de 2001/02 para os lados da Luz, que viu emergir do nada dois sucessores de Amál...perdão, Eusébio: Pepa e Mawete Júnior, a dupla ofensiva do Dream Team/Benfica Europeu de início de Século.
Finalizando com fogo de artifício técnico-táctico, vou abrir-vos o meu coração torturado pelas vicissitudes da vida e dizer-vos com toda a frontalidade que o Rui Campos só está aqui, porque tem uma expressão de derrotado da vida de sobremaneira depressiva. Para além disso, (tal como o Emanuel do sempre pujante e vitaminado Académico de Viseu no posto anterior) o homem parece ter no mínimo idade para ser pai de metade do plantel da equipa que com galhardia representa.
É assim a vida. Mais curta que comprida.
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sábado, abril 08, 2006
Lombardo de Barcelos assenta arraiais no meio-campo
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sábado, abril 01, 2006
Por cada Pelé, há um Lamptey
Destinado a ser o maior jogador de todos os tempos, acabou sendo um dos maiores falhados de sempre.Esta é a trágica história do repentista Nii Lamptey.
Corriam os idos de 1991. O grunge dominava a rádio e a TV, ainda havia uma quota mínima de 30% de bigode frondoso por cada plantel de futebol, e Yulian e Spassov chegavam no seu Fiat 127 a Paços de Ferreira.
Porém, à parte de tudo isto, o Mundo assistia incrédulo (como se tratasse de um passe em profundidade de Oceano ou de um hattrick de Missé-Missé) ao Campeonato do Mundo para imberbes jovens sub-17. Entre uma pleíade de futuras estrelas, como o homem das suíças renascentistas Del Piero e o estratega careca e Napoleão do tapete verde, Verón, brilhava o Bola de Ouro: Nii Odartey Lamptey de seu nome.
Ao lado do outro futuro portento leiriense Emmanuel Duah, Nii fazia miséria nas defesas adversárias com a sua criatividade, velocidade e visão de jogo. Duah afirma também que Lamptey era para além disso tudo, bom a fazer a cama.
Após a explosão do bom do Nii com apenas 15 anos de idade, o Rei Pelé (ele próprio considerado um antecessor de Gil Baiano) sentiu-se na obrigação de declará-lo como o seu sucessor natural. Talvez, mas só no que respeita à facilidade com que ambos eram capazes de montar um Cubo de Rubik em apenas 120 segundos.
Porém, o Anderlecht não sabia disso, e raptou-o (estória verídica) para a Bélgica, onde o prodígio ganês assinou contrato. Os belgas devem ter ouvido falar do rapto do homem dos tremoços, Eusébio (ele próprio considerado um antecessor de Pepa), sabiamente executado pelos lisboetas vermelhos aos lisboetas verdes. Parece que deu resultado.
Com 16 anos, no Anderlecht, molhou a sopa por 7 vezes em 14 jogos, confirmando as palavras de Pelé (as que não diziam respeito ao Cubo de Rubik).
Passadas três épocas, já considerado por muitos o novo António Borges ganês, Nii rumou ao PSV, com a missão de substituir Romário. Missão fácil para um miudo imberbe e a cheirar a leite, cujo nome não é Ronaldo. Mas o nosso rapaz estava habituado a superar expectativas. Na primeira e última época em terras de Ronny Van Es e Gaston Taument, foi o melhor marcador da sua equipa.
Mas na época seguinte, aquando da chegada ao Aston Villa, a rapsódia chegou abruptamente ao final. Coventry City, Veneza, Unión Santa Fé (em terras de Kimmel, outro clássico leiriense, benetidense e bidoeirense) e Ankaragücü foram notas desafinadas numa pauta desalinhada e descuidada. Pobre Nii.
Porém, enquanto na sarjeta futebolística, uma alma caridosa e genial (provavelmente Duah, digo eu), qual passarinho, sussurrou ao ouvido de Lamptey que o local indicado para atingir o ponto de rebuçado seria Leiria, uma pacata localidade portuguesa.
Lamptey, sempre inteligente na hora de mal gerir a carreira, nem teve tempo para dizer que sim, e empacotou de pronto a mala com as suas posses (um cubo de Rubik, três ervilhas, um Game Boy em 2ª mão e um cachecol do Desportivo de Chaves) em direcção á cidade do Lis.
Arrivado à Lusitânia, Nii proferiu as seguintes palavras, aqui traduzidas em "Cromos da Bola":
-"Como toda a gente no Gana, sou benfiquista desde pequenino, portanto o meu sonho sempre foi jogar em Portugal. Porém, a minha vizinha da frente gostava muito do Chaves por causa do Baston, J'aime Cerqueira, Dacroce e Dani Diaz. O meu objectivo é fazer uma grande época para dar o salto para a 2ª Liga, para o nosso Chaves."*
Apesar da boa vontade, a mão cheia de exibições pálidas, ensossas e absolutamente repelentes, não foi suficiente para tal.
Lamptey, o eterno optimista, pensou que a situação ideal seria deixar Portugal para trás e rumar à 15ª Divisão Alemã, berço de muitos e variados talentos ganeses no Século IV. Ingressou portanto no Greuther Fürth. Daí partiu para China e posteriormente para o Al Nassr do Qatar, onde pôde reencontrar muitos talentos velhos, podres e/ou falhados do Futebol Mundial.Nii encontrou paz. Nii encontrou a sua casa.
Por cada Eusébio, há um Akwá.
* P.S.: A tradução das palavras de Nii Lamptey pode ser falaciosa, pois não dominamos por completo a bela e sonoríficamente sonora língua ganesa.
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sexta-feira, fevereiro 10, 2006
Luís Pereira de Sousa
Para quem não se lembra, Luís Pereira de Sousa foi o senhor apresentador de programas de verão da RTP durante anos, tendo atingido o seu ponto de rebuçado nos anos 90.
Para quem ainda não se lembra, este portento de bronzeada careca e fino moustache azteca trouxe até nós - público ávido de sorver tudo o que se assemelhe a um esgoto em forma de programa de TV - o imortal e ignóbil "Festa na Feira".
Para quem ainda não se lembra, era uma espécie de Carlos Ribeiro da altura. Só que com um aspecto mais semelhante ao pequeno Buda depois de banhos de sol na praia de Matosinhos(espero não ter encadeado uma onde de destruição de embaixadas lusas com esta.Se perguntarem digam que não fui eu. Que viram o Sufrim a fugir com um teclado debaixo do braço).
Para quem ainda não se lembra, desisto de vocês. Não têm qualquer respeito por Portugal e suas figuras(além disso,não há uma única foto do gajo em toda a World Wide Web). Um dia ainda me hão de dizer que não sabem quem é um Engº Sousa Veloso, um Eládio Clímaco, um Fialho Gouveia, um Jogo da Mala ou o Bilro. Livrem-se.
Pois bem, o que tem a ver isto tudo com a bola, perguntam vocês?
Vocês: "O que tem a ver isto tudo com a bola, camandro?"
Ora bem, sucede que descobri inadvertidamente um jogador da nossa Liga chamado Luís Pereira de Sousa. Mais propriamente _____ Luís Pereira de Sousa.
Aceitam-se apostas.
domingo, janeiro 08, 2006
Poll ' Número 10 - Box to Box'
Aproveitamos para agradecer as deliciosas sugestões que nos foram dadas pelos nossos companheiros de viagem, esperando que este menú de 10 artistas exímios no acariciamento do esférico vos traga belas memórias.
Com muita tristeza nossa tivemos que deixar de fora nomes igualmente sonantes como Kmet, Soeiro ou Pedro Paulo entre outros, mas prometemos desde já uma poll para o banco de suplentes de igual qualidade cromíflua.
E que tal um Punisic para aguçar o apetite?
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quinta-feira, janeiro 05, 2006
Quem é o Nº 10?Finta com os dois pés...

Gente. Comparsas.Amigalhaços.Compagnons de route.Compinchas.
Chegou a altura que todos nós esperavamos...a eleição do 10 do nosso 11. Soa bem.Também podem atirar uns BOX TO BOX, vamos pôr em conta.
Vamos tirar da gaveta os Caciolis,Abdel-Ghanys,J'aime Cerqueiras,Kmets,Hanuchs,Pandurus,Tavares (o 10 por excelência...na camisola),Uribes,Lipcseis,Luís Carlos...
CHUTEM SUGESTÕES.
bem hajam!
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quarta-feira, dezembro 28, 2005
J'aime Cerqueira

Uma frase-chavão da nossa esfera bolística é a seguinte:"Passou ao lado de uma grande carreira."
Desde o nosso vizinho do lado até ao Sérgio Leite ou a João Manuel Pinto, esta frase já baptizou muitos Gils, Semedos ou Jean Claude Van Dammes do Mundo. Porém, esta tem um destinatário natural, aliás, um dono.
Jaime Cerqueira.
O Zidane de Amarante levava toda uma squadra á pala da sua monocelha orgulhosa, farta, e inspiradora de confiança. Uma cidade á pala da sua cremalheira sorridente, que espalhava alegria pelos quatro cantos do balneário.
Diz-se à boca cheia (de couratos e bolinhos de bacalhau, provavelmente) que Diego Maradona proferiu uma vez sobre Jaime o seguinte ditame: "Quién??"
Palavras que encheriam de orgulho qualquer um, mas Jaime continuou a porfiriar. Lutou, trabalhou e assumiu-se como um centro-campista de excelência de baixo rendimento, capaz de fazer inveja a um Walter Paz ou Paulo Almeida.
Poderia ter sido picheleiro. Poderia ter sido trolha. Poderia ter sido segurança de discoteca. Mas nasceu para jogar à bola. E bem.Pelo menos algumas vezes.
Jaime transbordava talento. Jaime era inspiração. Jaime era repentismo. Jaime era confiança. Jaime era liderança. Jaime acabou a carreira no Amarante, qual filho pródigo. Jaime treinou o Aparecida,após pendurar a chuteirinha da moda.
Jaime passou ao lado de uma grande carreira.
sábado, abril 23, 2005
D. Russell Nigel I
Se vasculharem um pouco mais nas vossas memórias da bola, quiçá até uns bons dez anos atrás, lembram-se concerteza de um jogador da nossa bola cuja carreira ficou manchada por um penalty falhado. Não falamos de Roberto Baggio, porque este nunca foi da nossa bola. Nunca foi dado pelo "Record" como novo reforço de um certo clube que equipa de vermelho e não se chama Salgueiros ou Gil Vicente. E daí, até é capaz de ter sido. Preenche o único requesito: a notícia seria falsa. Mas pondo de lado mais este fútil divagar, voltemos à vaca fria:
O tal jogador tem por pomposo nome Russell Nigel Latapy e tirou coelhos da cartola por vários palcos lusos, nomeadamente os de Felgueiras, Coimbra e Porto. Conhecido no seu habitat natural, Trinidade & Tobago, como "o Pequeno Mágico", este Maradona das Caraíbas deixou marcas em Portugal como "Aquele Gajo Pequeno com Cara de Peixe que Falhou o Penalty Decisivo Frente à Sampdoria, Destruindo as Esperanças de Milhões de Pessoas num Único Pontapé Infeliz".
Gozando uma reforma dourada como um bronzeado William Wallace em terras de Duncan MacLeod, o nobre D. Russell Nigel Latapy I ainda volta a Portugal de quando em vez para falhar uns penalties em jogos com amigos na praia ao domingo. Deus tenha piedade da tua alma, "Pequeno Mágico".

o que seria do mundo da bola sem registos fotograficos?
terça-feira, novembro 16, 2004
O sonho de Oliveira era a Selecção Brasileira
Porém, o nosso amigo desde cedo viu que pelas vias normais nunca lá iria. Sendo um jovem de inteligência e criatividade superioras, que aliás se manifestavam no relvado via futebolês escorreito e fluído, Chiquinho decidiu-se:
- "Se Chico não bota Escrete, Escrete bota Chico."
Através daquela que ficou a ser conhecida por "A Técnica do Espelho", Chico espelhou-se nos relvados canarinhos, sendo a sua extensão o bom do Rocha. Sempre que via o Escrete em acção, via a sua imagem de amarelo vestida. E logo soltava um alegre sorriso.

o que seria do mundo da bola sem registos fotograficos?


